Importância da Renovação Tecnológica na Advocacia

Importância da Renovação Tecnológica na Advocacia

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André Kageyama

A advocacia é um dos ramos profissionais mais tradicionais que há no mundo. E afirmo que é no mundo, pois leio diversos estudos e pesquisas, assisto diversas palestras e eventos, onde a advocacia protagoniza papel principal quando se trata de tradicionalismo.

Renovar, ou seja, modificar para melhor, implica para a advocacia mudar a visão com que a profissão é exercida, e não é só de programas de computador e hashtags que eu me refiro.

A advocacia possui um modelo de pensamento e de raciocínio que são peculiares. Atender ao cliente, manter um certo distanciamento, usar terminologias em latim, expressar de maneira sempre formal e séria. Essas são algumas das características que, no meu ponto de vista, caracterizam a advocacia.

É a advocacia uma profissão permeada de tradições, costumes e rotinas que são aplicadas de longa data. Petição inicial com “dos fatos”, “do direito”, “dos pedidos”, contratos com “doravante”, e por aí vai.

Inovar na advocacia exige mudar essa cultura, e não resolve impor a utilização de ferramentas de videoconferência, aplicativos de execução automatizada de tarefas, empurrar goela abaixo uma palestra de sobre como os robôs irão mudar a advocacia.

A questão chave para a inovação é a mudança de pensamento, ou do conjunto de pensamentos que os advogados têm, em um contexto geral, sobre a advocacia.

Renovar para manter a advocacia como parte essencial da sociedade, porque a sociedade mudou.

Já não consumimos, trabalhamos ou mesmo nos relacionamos mais da forma como nós fazíamos há 10 anos. E a advocacia precisa entender que essas mudanças sociais carregaram consigo mudança na postura dos advogados.

Para mudar a forma como interpretamos os fatos ao nosso redor precisamos mudar a forma como pensamos, o chamado mindset, conjunto de pensamentos e padrões de comportamento/reação.

Se agimos da mesma forma quando somos provocados, teremos sempre os mesmos resultados.

Embora a última frase seja um “chavão”, nada mais simples e poderoso que explicar que “plantando tomates, não espere colher feijões”.

E como mudar meu mindset?

Eu procuro pensar: como eu consigo simplificar esse procedimento que eu venho adotando, ou que me foi ensinado, para algo mais simples, algo mais dinâmico, ou mesmo como agregar mais valor dentro do que eu venho fazendo.

Com base nesse comportamento minha mente está sempre inquieta, buscando novos caminhos, ou mesmo visualizar novos horizontes, cenários e detalhes pelos caminhos que eu já percorro diariamente. E isso tem feito toda diferença, tanto na minha vida profissional, como na minha vida prática.

Portanto, inovação na advocacia não tem relação direta com a tecnologia, embora esta tenha contribuído sobremaneira para mudar o paradigma tradicional das relações humanas. Muito mais que trocar sua agenda de papel pela agenda do Google, inovar significa mudar a maneira de enxergar a advocacia como ela é entregue atualmente.

E então? Vamos fazer diferente?

Andre Kageyama

André Kageyama – Advogado, especializado em Direito Previdenciário e Direito Tributário. Também atua em Direito do Consumidor, Direito de Família e Sucessões, Responsabilidade Civil e Contratos. Membro da VI Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/SP, Presidente da Comissão de Startups, Proteção de Dados e Inovação para a Advocacia da OAB/SP Lapa e Palestrante.

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